Histórico (IBGE)
No ano de 1781, a região que hoje é conhecida como noroeste fluminense foi marcada, entre outros fatos, pelo processo de colonização do atual município de São Fidélis, através da criação de uma aldeia, sob a tutela de Frei Vitório de Cambiasca e Frei Ângelo Maria de Luca, que abrigou indígenas da redondeza, sobretudo os coroado. O findar do século XVIII foi testemunha do empenho dos primeiros capuchinhos que por lá chegaram e também dos moradores e indígenas que se uniram para erguer um grande templo em homenagem ao padroeiro. Ao mesmo tempo em que os esforços eram direcionados à nova igreja, outro problema ocupava a mente dos religiosos. As tribos dos coroado e dos puri viviam em constantes conflitos e uma nova aldeia se fazia necessária. Em torno deste objetivo se dedicaram, por anos, os capuchinhos, porém não conseguiram encontrar um local adequado para aldear os puri. Coube a Frei Tomaz de Castelo, capuchinho italiano, que há alguns anos auxiliava os fundadores de São Fidélis e acompanhava de perto o empenho de seus compatriotas, fundar uma nova aldeia. Em 1804, Frei Tomaz manteve contato com o “capitão” de uma tribo que se encontrava em visita a São Fidélis e, depois de conquistar sua confiança, o acompanhou, rio acima. Passou e visitou pequenas aldeias dos coroado e, percebendo o desejo destes indígenas de se aldearem, escolheu um local numa pequena colina, às margens do Rio Paraíba do Sul, de frente a um penhasco, para fundar a aldeia. Ali mesmo, com seu altar portátil, batizou o indígena a quem se referenciava como capitão e deu-lhe o nome de José de Leonissa da Silva. Com os indígenas construiu a primeira casa e fez roça. Porém era necessária licença para a fundação de uma aldeia e, visando solucionar o problema, Frei Tomaz viajou ao Rio de Janeiro, chegando por lá em 09 de julho de 1804. Porém a viagem foi infrutífera. Dom Fernando José de Portugal, então vice-rei do Brasil, indeferiu o requerimento. Somente anos depois, quando o vice-rei passou a ser Dom Marcos de Noronha, é que Frei Tomaz conseguiu autorização para criar a nova aldeia. Do vice-rei recebeu duas léguas de terra, ferramentas, ornamentos para a igreja, sino, pia batismal entre outras coisas necessárias para o principiar da aldeia. Em 24 de fevereiro de 1808, foi expedida uma portaria que autorizava Frei Tomaz a paroquiar os indígenas, porém, somente em 1809, é que o povoado foi finalmente instalado. Erguia-se, desta forma, uma aldeia de coroado e não de puri, como desejavam os capuchinhos de São Fidélis. Com ajuda dos indígenas, Frei Tomaz construiu a primeira igreja, de pau-a-pique e cobertura de palha, em honra a São José de Leonissa. Edificou várias casas para os nativos e iniciou a construção de uma olaria que pudesse fornecer material necessário para edificações mais resistentes. Assim nasceu o futuro município de Itaocara, que neste primeiro momento foi nomeado como São José de Dom Marcos, nome inspirado no santo padroeiro em união a uma homenagem ao vice-rei que autorizou a criação do povoado. Entretanto, esse nome não agradou muito aos moradores e visitantes que se referiam ao local como sendo São José de Leonissa da Aldeia da Pedra, ou de uma forma mais abreviada, simplesmente Aldeia da Pedra. O “morro de pedra” localizado em frente à aldeia, na margem oposta do rio, era um ponto de referência muito mais eficaz e real para os indígenas e visitantes que o próprio antigo vice-rei, a ponto de os nascidos no povoado serem chamados de pedrenses. Somente em 28 de outubro de 1890, com a emancipação política, o novo município passou a se chamar Itaocara. De acordo com o escritor Alaor Scisinio, o nome Itaocara teria sido sugerido pelo miracemense Dr. Francisco Antunes Ferreira da Luz e, tem sua origem na língua tupi, significando ita - pedra e ocara – aldeia.
Fonte do histórico:
ITAOCARA (RJ). Prefeitura. Disponível em: https://www.itaocara.rj.gov.br/historia. Acesso em: 2 out. 2025.
Formação administrativa:
Distrito criado com a denominação de Itaocara, pela Lei Provincial n.º 500, de 21-03- 1850 e por Decretos Estaduais n.ºs.1 08-05-1892 e 1-A de 03-06-1892, subordinado ao município de São Fidélis. Elevado à categoria de vila com a denominação de Itaocara, pelo Decreto Estadual n.º 140, de 28-10-1890, desmembrado de São Fidélis. Sede na povoação de São José de Leonissa. Constituído de 3 distritos: Itaocara, Laranjeiras e Três Irmão. Pelo Decreto n.º 191, de 13-04-1891, a vila de Itaocara adquiriu do município de Cantagalo o distrito de Laranjeiras. Pelas Deliberações Estaduais de 10-09-1890 e 04-09-1891, é criado o distrito de Três Irmãos e anexado ao município de Itaocara. Pela Lei Estadual n.º 662, de 27-10-1904, é criado o distrito de Jaguarembé e anexado ao município de Itaocara. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 4 distritos: Itaocara, Laranjeiras, Três Irmãos e Jaguarembé. Pela Lei Estadual n.º 1.888, de 22-11-1924, são criados os distritos de Estrada Nova e Estação Três Irmãos e anexados ao município de Itaocara, sendo que o distrito de Estrada Nova foi formado com áreas desmembradas do distrito de Laranjeiras. Pela Lei Estadual n.º 1.267, de 09-11-1915, o distrito de Três Irmãos passou a denominar-se Portela. Elevado à categoria de cidade pela Lei Estadual n.º 2.335, de 27-12–1929 com os distritos: Itaocara, Laranjeiras Jaguarembé, Estrada Nova, Estação Três Irmãos e Portela (ex-Três Irmãos). Em divisão territorial de 31-XII-1936 e 31-Xll-1937, o município de Itaocara é constituído de 6 distritos: Itaocara, Laranjeiras, Portela, Jaguarembé, Estrada Nova e Estação de Três Irmãos. Pelo Decreto-lei Estadual n.º 156, de 31-12-1943, o distrito de Laranjeiras passou a denominar-se Laranjais. Sob o mesmo Decreto-lei o distrito de Três Irmãos deixa de pertencer ao município de Itaocara, sendo anexado ao município de Cambuci. No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 5 distritos: Itaocara, Estrada Nova, Jaguarembé, Laranjais (ex-Laranjeiras) e Portela. Em divisão territorial datada de I-VII-1960, o município é constituído de 5 distritos: Itaocara, Laranjais, Estrada Nova, Jaguarembé e Portela. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 17-1-1991. Pela Lei Municipal n.º 247, de 15-08-1991, é criado o distrito de Batatal e anexado ao município de Itaocara. Em “Síntese” de 31-XII-1994, o município é constituído de 6 distritos: Itaocara, Batatal, Estrada Nova, Jaguarembé, Laranjais e Portela. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2024.