Histórico (IBGE)
A história da região a que pertence Jequiá da Praia remonta ao naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda, ocorrido em 16 de junho de 1556, próximo à foz do Rio Coruripe. Alguns dos náufragos teriam sido levados até Barra de São Miguel por caetés, segundo relato do tratadista Gabriel Soares de Sousa. No entanto, existem controvérsias sobre esse ponto, pois, segundo o historiador Moacir Soares Palmeira, o acontecimento teria se dado na bacia de Vaza-Barris, em Sergipe. Os primeiros não indígenas a se estabelecerem na região teriam sido os franceses, em busca do pau-brasil, que existia em abundância nestas terras. Há indicação de que os espanhóis e os holandeses tenham construído feitorias às margens da Lagoa do Jequiá com o mesmo objetivo. Ainda no século XVI, Antônio Moura Castro recebeu uma sesmaria formada pelas terras compreendidas entre o Rio São Miguel e o Rio Coruripe. O processo de colonização da sesmaria teve início, com a introdução da cultura da cana-de-açúcar, registrando-se a implantação do Engenho Jequiá e do Engenho Prata como pioneiros na ocupação da região. Entretanto, as primeiras povoações do local onde se encontra Jequiá da Praia se iniciaram sob a influência da Vila de São José do Poxim, hoje parte do município de Coruripe. A Freguesia do Poxim foi criada, pelo bispo de Olinda, em 1718. A capela de Nossa Senhora do Pilar, depois igreja e hoje paróquia, uma das mais antigas de Alagoas, foi fundada em 1762. A Vila de São José do Poxim se consolidou por estar próximo de um ancoradouro natural, situado onde hoje se encontra a Fazenda Pituba. Lá os navios negreiros atracavam, fugindo da armada inglesa, que não permitia o tráfico de escravizados vindos da África. Chegando ao ancoradouro da Pituba — normalmente no mês de junho, época do início da moagem da cana —, os negros escravizados eram levados até Poxim, onde eram comercializados junto aos senhores de engenho da região. Aqueles doentes, velhos ou com deficiência física, que não eram comercializados, ficavam na vila, fazendo com que Poxim tivesse uma população predominante de pessoas de cor negra. Ainda hoje, por volta de 70% da população do Poxim é negra. Uma das famílias mais antigas a ocupar as terras da atual cidade, às margens do Rio Jequiá, foi a do português Manuel da Cunha Coelho, que, por volta de 1810, ocupava a localidade de Sítio Espera. Naquele tempo, as atividades predominantes eram a retirada de madeira e a produção de coco e cana-de-açúcar. Antônio Leão é considerado a figura mais importante dentro do contexto histórico e cultural do município de Jequiá, pelo fato de ter participado da Revolução Pernambucana, em 1817, ao lado de Manuel Duarte Ferreira Ferro. Ambos defenderam as terras de Jequiá, mas o movimento fracassou. Antônio Leão foi preso pela tropa portuguesa e condenado à morte. Ele foi esquartejado, e as partes do seu corpo foram espalhadas pelos principais pontos da Praia de Jequiá. Ele é considerado o mártir de Jequiá da Praia. A Usina Cansanção de Sinimbu foi construída em 13 de abril de 1894, pertencente a Manuel Duarte Ferreira Ferro, o Barão de Jequiá. Em 1951, ela passou a pertencer aos irmãos Antônio e Benedito Coutinho. Com o ciclo da produção açucareira veio o ciclo das barcaças de madeira e movidas pelo vento, que transportavam o açúcar desde o Porto da Boca, na Lagoa de Jequiá, até o Porto do Jaraguá. Consta que mesmo durante a Segunda Guerra Mundial os barqueiros se arriscavam a ser torpedeados pelos alemães, como o que aconteceu com o navio Itapagé, que foi afundado ao longo da costa, na altura de Lagoa Azeda. Em 17 de setembro de 1957, foi encontrado petróleo nas terras da Fazenda Pecó, nas proximidades de Lagoa Azeda. Jequiá da Praia é um município considerado novo, criado em 1995. Seu território originariamente pertencia aos municípios de São Miguel dos Campos e Coruripe. O significado do nome é 'cesto de pesca', em referência à grande quantidade de peixes na região pela trilogia das águas — lagoa, rio e mar.
Fonte do histórico:
JEQUIÁ DA PRAIA (AL). Prefeitura. Disponível em: https://jequiadapraia.al.gov.br/história. Acesso em: 08 abr. 2026.
Formação administrativa:
Elevado à categoria de município e distrito com a denominação Jequiá da Praia, pelo Art. 41, inciso I, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição Estadual de 05-10-1989, confirmado pela Lei Estadual n.º 5.675, de 03-02-1995, que define os seus limites, desmembrado de São Miguel dos Campos e Coruripe. Sede no distrito de Jequiá da Praia (ex-povoado de São Miguel). Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-2001. Em divisão territorial datada de 2003, o município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2024.