Histórico (IBGE)
A ocupação do território onde se insere o atual município de Mata Grande teve início no período colonial, a partir da concessão de extensas sesmarias na região do alto sertão alagoano. Entre os principais responsáveis pelo desbravamento e colonização destacam-se Sebastião de Sá e Antônio de Souto Macedo, que, no século XVII, implantaram fazendas de criação de gado às margens do rio dos Cabaços e de seus afluentes, estruturando a base econômica da região. Essas propriedades, inicialmente administradas por seus fundadores, foram posteriormente doadas à Companhia de Jesus e integraram o patrimônio dos Jesuítas até sua expulsão do Brasil, em meados do século XVIII. Com a transferência dos bens à Coroa portuguesa, as terras passaram por sucessivos leilões e mudanças de domínio, processo que contribuiu para a redefinição da ocupação fundiária e para a formação histórica do espaço que daria origem a Mata Grande e aos municípios vizinhos. O povoamento do núcleo que deu origem à atual cidade de Mata Grande teve início em 1791, quando, por escritura de doação, João Gonçalves Teixeira e sua mulher, Maria Luiza, cederam uma parte de terra, denominada Cumbe, situada nas Matas de Santa Cruz, para a edificação de uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. Segundo o escritor Djalma Mendonça, Cumbe foi, portanto, a primeira denominação daquelas terras, situadas na região serrana de Mata de Santa Cruz. Cumbe é, ainda hoje, o nome dado a uma fonte perene que abastece a cidade e ao contraforte da Serra da Onça De acordo com a escritura acima citada, sabe-se que João Gonçalves Teixeira instalou uma fazenda de gado que constituiu o primeiro núcleo de população, o qual estava localizado onde se encontra hoje a cidade de Mata Grande. João Gonçalves erigiu, logo abaixo de sua residência, uma capelinha de taipa que, como era de praxe, servia também de cemitério, ao lado esquerdo do prédio de um grupo escolar. Ergueu, em frente, uma grande cruz de madeira, feita do tronco de enorme uma maçarandubeira ali existente. Dessa árvore de gigantesco porte, o arraial herdou o nome de Mata do Pau Grande. Escrituras de 1808 lhe documentam o nome de Mata do Pau Grande, da freguesia de Nossa Senhora da Saúde de Tacaratu. Sua denominação passou a ser Mata Grande em 1835, pelo fato de a povoação ter sido edificada junto à serra do mesmo nome, coberta de uma vasta, fértil e verdejante mata.
Fonte do histórico:
MATA GRANDE (AL). In: ENCICLOPÉDIA dos municípios brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE, 1957. v. 14. p. 100-101. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv27295_14.pdf. Acesso em: 10 abr. 2026.
Formação administrativa:
Elevado à categoria de vila com denominação de Mata Grande, pela Lei Provincial n.º 18, de 18-03-1837, desmembrado de Porto da Folha (mais tarde Traipu). Pela Lei Provincial n.º 43, de 04-05-1846, a vila é extinta. Elevado novamente à categoria de vila com a denominação Mata Grande, pela Lei n.º 197, de 28-06-1852. Reinstalada em 27-09-1852. Pela Lei Provincial n.º 516, de 30-04-1860, Mata Grande passa a denominar-se Paulo Afonso. Elevado à condição de cidade com a denominação de Mata Grande, pela Lei Estadual n.º 328, de 05-06-1902. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município de Paulo Afonso é constituído do distrito sede. Pela Lei Estadual n.º 1.144, de 25-05-1929, o município de Paulo Afonso passa a denominar-se Mata Grande. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído do distrito sede. Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada em 2024.